
O
professor da Faculdade de Odontologia da USP, Igor Studart Medeiros,
propôs uma tese de doutorado que explora justamente a área de novos
materiais mais resistente. Mais especificamente, ele pesquisa as
fibras cerâmicas com aplicação na Odontologia. “A partir do contexto
atual, surgiu a motivação em se desenvolver materiais que tanto
reproduzam uma cor próxima dos dentes quanto que tenham resistência
mecânica. Então foi desse problema que surgiu a idéia do trabalho de
desenvolver isso”, afirma Igor.
A grande diferença da confecção dessas fibras é que é usado o laser
como fonte de calor, ao invés de fornos. Com isso, consegue-se
controlar o mecanismo da fundição e do resfriamento da peça. “Assim
eu tenho o controle da propriedade final das fibras. Então posso
ajustar o meu equipamento pra produzir fibras com determinada
propriedade”, explica o docente. O nome do processo que utiliza o
laser como fonte de calor é Laser Heated Pedestal Growth (LHPG).
Segundo Igor, “no Brasil, o único grupo que tem essa tecnologia
disponível é o grupo de Crescimento de Cristais e Materiais
Cerâmicos, que é do Instituto de Física da USP São Carlos e que tem
como chefe o professor Antonio Carlos Hernandes, meu orientador”.
Os estudos dos
docentes foram voltados para duas vertentes. Uma delas foi a
pesquisa da compatibilidade dos materiais odontológicos com as
fibras. Igor explica que essa pesquisa é importante porque “as
fibras não são utilizadas como material puro. Elas são utilizadas
como reforço dos materiais de cerâmica existentes no mercado pra
fazer prótese fixa porque existe uma limitação imposta pela técnica
de obtenção dessas fibras. Eu só consigo obtê-las em formato de
bastão, então eu não consigo produzir um material sob medida. Por
isso é preciso utilizar outro material que você consiga moldar”.
A outra vertente foi o aperfeiçoamento da técnica que foi
desenvolvida em São Carlos, que culminou no aumento da resistência
mecânica dos materiais. Segundo o professor, “na época as fibras
tinham uma resistência de 800 MPa, hoje já ta na casa de 3000MPa”.
Ao final da pesquisa, a USP patenteou a descoberta em seu nome,
constando o professor Igor Studart Medeiros e o professor Antonio
Carlos Hernandes como inventores. O registro foi feito no INPI
(Instituto Nacional da Propriedade Industrial).

Continuidade das pesquisas
O professor Igor ressalta que as pesquisas não pararão. Há a
proposta para o pós-doutorado, já aprovada pela Fapesp, no qual ele
pretender continuar nessa mesma linha de pesquisa. Os objetivos, a
princípio, seriam o “aperfeiçoamento do modo de produção dessas
fibras e a combinação com outros materiais odontológicos - pelo
menos mais quatro ou cinco".
Em todo esse processo de pesquisa, o professor destaca a importância
do curso de Ciência e Engenharia de Materiais (Interunidades
IFSC-EESC-IQSC), que, ao obter uma linguagem comum entre as ciências
aplicadas e de base, “tem produzido bastantes resultados positivos
para a ciência do Brasil".
Fonte: USP Online. http://www.webodonto.com/odontologia/noticias/fibra_resistencia_protese.htm
Simulação da
aplicação da prótese
com fibras cerâmicas
